Poema para uma mulher de Burka [Maria do Sameiro Barroso]
Chegavas junto a mim, como um animal faminto,
que a luz para a sua sede implorava,
não vivendo o agora, nem o hoje
nem o sempre,
apenas os relógios parados,
suspensos do tempo amedrontado
que sobrava dos detritos
dos banquetes de serpentes.
Poem for a woman under a Burka [Maria do Sameiro Barroso]
You came to me like an hungry
animal,
begging light to its thirst,
not living now, not today
nor ever,
only the stopped clocks,
suspended from the frightened time,
left on the debris
of the banquets of snakes.


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